Realidade distante da expectativa deixa Atlético-MG “no vermelho” em 2018; diretor comenta

 

Fonte: Globo Esporte

O Conselho Deliberativo do Atlético-MG vai se reunir no próximo dia 27 e avaliar a projeção de orçamento para 2019. Os números que serão apresentados pela diretoria não são dos mais animadores. A atual situação financeira do Galo é ruim. Neste ano, o clube operou “no vermelho” (ou seja, gastando mais que recebendo) em todos os meses. O saldo anual também será, certamente, negativo.

– (O saldo de 2018 do Galo é) vermelho. Só não fechou mais no vermelho porque foi um ano interessante em termos de negociação de atletas. Não posso abrir o número porque ainda não apresentei para o Conselho, mas estamos rodando no vermelho em todos os meses, mês a mês. O ano também vai fechar no vermelho, certamente – disse o diretor financeiro do Atlétio-MG, Carlos Fabel.

Atlético-MG foi eliminado da Copa do Brasil 2018 pela Chapecoense — Foto: Sirli Freitas/Chapecoense

Atlético-MG foi eliminado da Copa do Brasil 2018 pela Chapecoense — Foto: Sirli Freitas/Chapecoense

O motivo é simples: a realidade do Galo na temporada está bem distante da expectativa. No fim do ano passado, quando o Conselho se reuniu para projetar gastos e ganhos de 2018, o Atlético-MG contava com algumas receitas que, na realidade, não foram alcançadas. As eliminações precoces nas competições de mata-mata (Copa do Brasil e Sul-Americana) e a instabilidade no Brasileirão são os fatores responsáveis. Fabel explica.

– A gente é muito conservador quando faz o orçamento, mas a gente considera que você vai navegar mais na Copa do Brasil, que você vai ter “X” de ticket médio de bilheteria, “X” de público médio. Considera que vai estar em um torneio internacional e caminhar um pouco mais, que dentro do Brasileiro você vai ter uma bilheteria melhor. Infelizmente, o time ficou muito instável neste ano. A torcida apoia demais, temos uma média de 18 mil pessoas (nos jogos no Independência), mas o ticket médio está baixíssimo, senão ele (torcedor) não vai. Como vamos sacrificar o torcedor, com um time instável, cobrando um ticket caro? É injusto. É você pegar um ator que está fora de cena e querer cobrar caro. A peça de teatro dele não vai encher – analisou.

A questão da média de preço de ingressos, além de render pouco dinheiro aos cofres do clube, reflete em outro problema: o enfraquecimento do programa de sócio-torcedor, o Galo na Veia. Com o valor do bilhete mais baixo, o torcedor tem um motivo a menos para contratar o plano de sócio, já que fica mais barato, em muitos casos, comprar ingresso para todas as partidas (em casa) do mês.

– (O ticket médio baixo) complica tudo. Complica demais o Galo na Veia, complica demais o nosso caixa do dia a dia. É uma roda, um moinho – completou Carlos Fabel.

Campanha do Atlético-MG no ano pesou no valor dos ingressos praticados pelo clube, segundo Fabel — Foto: Pedro Souza

Campanha do Atlético-MG no ano pesou no valor dos ingressos praticados pelo clube, segundo Fabel — Foto: Pedro Souza

A diretoria comandada pelo presidente Sérgio Sette Câmara tem grandes desafios a curto, médio e longo prazos. Por agora, o time precisa buscar a classificação para a Libertadores. O retorno ao torneio certamente vai interferir positivamente nas receitas de 2019. Para a próxima temporada, o clube precisa dar prosseguimento à estratégia de economizar e pagar dívidas, mas também tem de se preocupar com a montagem de um time competitivo para que a realidade não seja, de novo, distante da expectativa.

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