Mãe acusada de matar filho de dois anos vai a júri popular em Montes Claros

Fonte: G1 Grande Minas

Uma mulher acusada de agredir e matar o filho, de dois anos, em Montes Claros, está sendo julgada na manhã desta terça-feira (8). O crime foi em fevereiro de 2020 e na época, segundo a Polícia Civil, ela alegou que o menino teria se ferido ao cair de um banco de 45 centímetros de altura, mas a necropsia apontou que as lesões eram incompatíveis com a queda.

Conforme informações repassadas pelo delegado Bruno Rezende, a criança era agredida constantemente e o laudo mostrou que ela morreu em decorrência de “choque distributivo, consequente a perfuração do intestinal, devido a traumatismo abdominal por instrumento contundente”. A perfuração do intestino pode ter sido causada, por exemplo, por murros, chutes e socos.

Crime foi em fevereiro de 2020 e na época, segundo a Polícia Civil, Vanessa Dias de Oliveira alegou que o menino teria se ferido ao cair de um banco, mas a necropsia apontou que as lesões eram incompatíveis com a queda. Julgamento começou por volta das 9h40 no fórum Gonçalves Chaves.

O julgamento de Vanessa Dias de Oliveira, de 20 anos, começou por volta das 9h40 no fórum Gonçalves Chaves. O conselho de sentença é formado por sete jurados, sendo cinco homens e duas mulheres. Quatro testemunhas de acusação e três de defesa serão ouvidas.

“A acusação vai sustentar homicídio triplamente qualificado. Motivo torpe porque ela não tinha paciência com o filho, quando tinha as crises de ciúmes infligia castigos como forma de represália ao antigo parceiro [pai do menino], eles já não tinham relação de cônjuge. Motivo cruel decorrente das constantes agressões violentas ao filho e, terceiro, recurso que dificultou a defesa da vítima em decorrente da superioridade de força utilizada por ela referente à criança”, explicou a promotora Maria Cristina Santos Almeida.

Vanessa está presa desde abril de 2020 e nega participação no crime. A advogada de defesa Ana Clara Guerra afirma que as agressões foram cometidas pelo pai da criança.

“A defesa sustenta que o pai era extremamente violento tanto com a minha cliente, quanto com o filho do casal, e essas agressões reiteradas por parte do pai levaram a morte da criança. Até agora só se mostrou um lado da história e a defesa, vem hoje mostrar o outro lado da história, a versão correta dos fatos”.

O pai não foi preso, mas de acordo com o Ministério Público, ele está sendo investigado. A avó paterna também é investigada por omissão.

“Deve ser punidas e investigadas essas ações e omissões. O pai e a avó são alvos de investigação, inclusive o pai com relação à participação no crime de homicídio porque existe uma fala dela [da mãe] de que o pai teria agredido o filho também. Ela nega a autoria e diz que não fazia nada por medo, só que isso não verifica nos autos. Inclusive a primeira declaração dela não é nesse sentido de que ele agredia. Ela nega que o pai agredia o filho e diz que ninguém agredia a criança”, esclareceu a promotora Maria Cristina Santos Almeida.

G1 não conseguiu falar com a defesa do homem. Caso algum advogado se manifeste, essa reportagem poderá ser atualizada.

Entenda o caso

Banco de onde o menino teria caído, segundo a mãe — Foto: Polícia Civil / Divulgação
Banco de onde o menino teria caído, segundo a mãe — Foto: Polícia Civil / Divulgação

Na época, testemunhas disseram à Polícia Civil que a mãe agredia o filho em qualquer lugar, inclusive, na rua. Antes de morrer, o menino sofreu por três dias. Ele foi levado por familiares para o Hospital Universitário, mas precisou ser transferido para a Santa Casa em função do grave quadro de saúde. Ele morreu no dia 20 de fevereiro.

Vanessa Dias de Oliveira foi presa no mês de abril e disse à polícia que o menino teria se ferido ao cair de um banco.

“As lesões identificadas na necropsia são incompatíveis com a queda de um banco, que tem 45 centímetros de altura. Em razão das agressões recorrentes, o menino apresentou febre, inchaço, dificuldades para se alimentar e evacuar. Mesmo diante de tanto sofrimento, era punido por chorar de dor”, disse o delegado Bruno Rezende da Silveira.

O delegado informou também que em uma das ocasiões o menino foi deixado de castigo e de joelhos no quintal de casa, durante o período da noite. A avó acordou para ir ao banheiro e viu o neto. Ao questioná-lo sobre o porquê de estar fora de casa, disse que a mãe o colocou no local.

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